terça-feira, 9 de abril de 2013

Eu Vejo Pessoas

Eu vejo pessoas andando nas ruas
Eu vejo pessoas aborrecidas demais
Eu vejo pessoas batalhando firme
Eu vejo pessoas simulando viver bem
Eu vejo pessoas com muita esperança
Eu vejo pessoas cheias de si mesmo
Eu vejo pessoas com simplicidade
Eu vejo pessoas alheias ao próximo
Eu vejo pessoas com solidariedade
Eu vejo pessoas totalmente ao ermo
Eu vejo pessoas buscando alternativas
Eu vejo pessoas imersas na solidão
Eu vejo pessoas totalmente expansivas
Eu vejo pessoas retraídas e oprimidas
Eu vejo pessoas almejando e lutando
Eu vejo pessoas indiferentes a tudo
Eu vejo pessoas fazendo a diferença
Eu vejo pessoas e elas não se veem
Eu vejo pessoas e elas não me veem

domingo, 24 de março de 2013

CDHM, Marco Feliciano e o Cerne Real do Imbróglio.

deputado federal Marcos Feliciano (PSC-SP)
Tem tido grande apelo popular e até curiosidade a trajetória da escolha do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) como novo presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal.

Atos midiáticos de colegas seus parlamentares e de ativistas dos direitos humanos vêm ocorrendo no plenário da aludida comissão permanente, assim como nas redes sociais multiplicam-se declarações raivosas e indignadas que vão de anônimos a artistas consagrados inclusive de alguns fora da mídia há algum tempo...

Esse “grita geral” que muitos oportunistas agora insistem em transformar em “guerra santa” colocou em evidencia uma expressão curiosa e perigosa a da tal “ditadura gay” cunhada para definir maldosamente os que se empenham no reconhecimento dos direitos civis dos homo-afetivos.

O episódio em si colocou ou na verdade realçou o radicalismo e as trincheiras opostas dos que defendem o reconhecimento dos direitos civis dos homo-afetivos, afrodescendentes, mulheres etc. e os que se ancoram no puritanismo religioso de parcela significativa da população (o que lembra e muito certos países do oriente médio) e desprezam na sua atuação parlamentar a laicidade brasileira nas decisões que gerem um diploma legal.

Noutro giro também não pode ser desconsiderado o inviolável direito a opinião a que todos nós temos com amparo constitucional e o senhor Marcos Feliciano tem garantias das suas vontades de não votar, defender e o de ser contra incisivamente a união civil homo-afetiva por exemplo, mas existe uma fenda profunda entre liberdade de expressão e a discriminação como podemos constatar em suas palavras postadas no twitter: "A podridão dos sentimentos dos homo-afetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição".

Ele também não é obrigado jamais em tempo algum a se casar com uma afrodescendente isso é da sua livre escolha e pt saudações, mas é uma enorme diferença quando posta uma afirmação como essa: "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é a polêmica. Não sejam irresponsáveis twitters rsss". Isso é preconceito puro e simples, queiram ou não seus defensores e sim eles existem e viva a democracia que os garante e a todos nós.

As opiniões esdrúxulas de Feliciano não se resumem apenas aos afrodescendentes e homo-afetivos [os quais ele parece ter especial interesse e serem a sua maior bandeira, a ponto de misturar direitos a igualdade entre homens e mulheres com homossexualismo], leiam a seguir o que ele diz na página 155 do livro “Religiões e política; uma análise da atuação dos parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTS no Brasil”: Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos”. É risível, porém é o pensamento do senhor Feliciano lastreado na sua nazi-religiosidade.

A questão central falta dizer e isso se deve também a intolerância dos grupos que defendem justos direitos de maneira obliqua, não são as opiniões do senhor Feliciano que como já deixei claro são livres constitucionalmente, mas a forma grotesca e insidiosa como são colocadas e assim sendo beiram a atos criminosos [o STF irá julgar se são ou não] e a parcialidade radical que apresenta um presidente da comissão que visa discutir e votar propostas legislativas relativas à sua área temática; fiscalizar e acompanhar a execução de programas governamentais do setor além de cuidar dos assuntos referentes às minorias étnicas e sociais ter  as devidas condições morais de se manter a frente dos trabalhos.

Em suma quero dizer que poderíamos ter um presidente da CDHM que fosse contra a união civil de homo-afetivos, conservador ou porque não dizer retrogrado sobre a posição social das mulheres e até não simpatizante da cultura negra (observem bem, me refiro à cultura não as pessoas afrodescendentes), mas que fosse equilibrado, imparcial, respeitável em suas manifestações públicas e privadas, e não se utilizasse do cargo como palanque eletrônico para a massa de radicais que não se dispõe a debater a luz dos direitos civis os anseios de irmãos seus brasileiros e brasileiras, que só almejam a felicidade sem que isso se constitua na destruição da base familiar ou social existentes, por essas razões digo não ao senhor Marcos Feliciano na presidência da CDHM. 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Do Pioneiro ao Derradeiro Somos Todos Paranoá


Realmente bela é a vista que se tem, essa do Lago Paranoá
Com certeza poucos lugares nesse mundão são como cá
O JK bem sabia que esse Lago logo precisava ser domado
Com uma barragem erguida por um povo desassombrado

Estes aos poucos foram chegando e o concreto armando
Muito trabalho duro e a nossa gente quase alquebrando
Digo quase porque com muita força a coisa prosseguiu
E eis que no tempo de só três meses a barragem surgiu

Esse grupo muito trabalhador muito mais tinha por fazer
A geração hidrelétrica deles precisava para poder aparecer
O rolar do suor com enorme esforço empreendedor geral
E a força do valor humano fez nascer uma usina no local

Com a inauguração da Capital a todos queriam longe dali
Algo que não se poderia aceitar pois eles ficariam por aqui
Anos difíceis se passaram e a Vila aos poucos se encorpou
O Paranoá já como cidade ao Distrito Federal se incorporou

Urbana, rural, clássica, abstrata ou simplesmente futurista
O Paranoá tem muita cultura a se desfrutar a perder de vista
Aqui o mais importante é que lugar como o nosso não há
Porque do pioneiro ao derradeiro somos todos Paranoá

            Suenilson Saulnier de Pierrelevée

sábado, 17 de novembro de 2012

Cultura Urbana Fenômeno das Massas


Quando falamos em cultura logo nos vem à cabeça as manifestações e atividades voltadas para o teatro, a dança, o folclore, a música, a literatura e outras mais.

Contudo a cultura no sentido que aqui exploramos é subdividida entre erudita que se baseia nas expressões artísticas como a música clássica de padrão europeu, as artes plásticas, escultura e pintura, e a popular onde basicamente podemos destacar a produção e participação ativa do povo. 

A existência de duas variantes absolutamente distintas por si só é uma demonstração clara da indesejável presença da divisão entre classes sociais em sua mais cristalina apresentação fática.

Nesse diapasão inserida na cultura popular nasceu a cultura urbana tendo como berço os EUA, mas precisamente nos bairros de cidades pobres, logo depois da quebra da bolsa de valores de Nova York (1929) em forte contraposição espontânea ao racismo, a depressão econômica e principalmente contra a exclusão social manifestos naquele país.

Já nos anos 70 a cultura urbana fundiu-se em vários dos seus conceitos com o Movimento Hip Hop, fazendo da sua existência e fundamentos um alerta social e artístico dos excluídos e marginalizados.


Embora contemporânea quando a comparamos, por exemplo, a uma manifestação folclórica como a do Bumba meu Boi, a Cultura Urbana ou se preferirem Movimento Hip Hop tão somente, é muitíssima rica e diria das mais harmoniosas em seus eixos basilares.

Senão vejamos: ela tem o seu próprio segmento voltado à “pintura” o grafite originário do final da década de 1960 (vejam a pouca idade da reintrodução da arte), onde os jovens do Bronx (bairro nova-iorquino) resgataram essa modalidade artística, dispensando o inservível carvão usado na escrita do extinto Império Romano e lançando mão de atualizados e confortáveis tintas spray, dando uma visibilidade diferenciada, marcante e de conteúdo denso incomparáveis.

O esporte também diz presente no Movimento Hip Hop, aliás, um não pode estar dissociado do outro em especial o streetball (basquete de rua) designação própria do Brasil. O estilo de se jogar e vestir são as marcas registradas do streetball. Tendo sempre ao fundo a execução do rap, uma jinga própria recheada de grandes e estéticas improvisações, o streetball aos poucos vem conquistando o seu espaço em nossa cultura urbana.  

Escrever sobre o Movimento Hip Hop ou da Cultura Urbana ainda que de maneira não profunda sem mencionar a street dance (dança de rua), seria simplesmente ignorar a plasticidade indiscutivelmente contagiante dessa arte. O break (desdobramento gerado no funk) e a street dance hoje são tão geminados que poucos os diferenciam se não conhecerem as suas sutilezas. A street dance necessariamente não deve ser desenvolvida no asfalto. A linguagem corporal da street dance lembra muito a mímica, faz dos seus praticantes verdadeiros acrobatas e até a ginástica olímpica permeia suas apresentações, em um encontro de rara beleza entre corpo e solo.

Post Scriptum: Essa é apenas a visão que tenho sobre o assunto, ela jamais pretende ser definitiva e muito mais pode ser aprendido, acrescentado, discordado e enriquecido. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Proclamação da República 104 anos de Farsa Histórica e 19 Anos de Legitimidade


Por ora, a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo tudo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada! Aristides Lobo.

Ano de 2012 chegamos então a 123 anos da República Federativa do Brasil? Somos um país que para início de conversa foi povoado primeiramente por degredados, exterminou grande parte e tentou tornar escravos os nativos (índios) da terra e que se jacta através de feriado nacional da “proclamação” de uma República nascida em um golpe de estado militar apoiado pelas elites econômicas da época, tem o que comemorar nesse quesito?

Os defensores da forma de governo republicano podem imediatamente enumerar uma série de vantagens na adoção do modelo, indo desde as supostas garantias democráticas até a modernidade que ele diz representar. Contudo o nosso foco não se baseia nessa discussão e sim na concepção da nossa República e as consequências ao longo de sua introdução até os dias atuais.

Nem sequer vamos tocar no sistema de governo (presidencialismo puro) em contraposição ao parlamentarismo que garante estabilidade política ao chefe de governo sem a necessidade dos nefandos conchavos que drenam o erário público descaradamente.   

O que nos deixa perplexos em verdade são as láureas oferecidas à data (muito mais por ser um dia mais de descanso do que em defesa do republicanismo) sem que venha a baila qualquer debate ou esclarecimento histórico do que verdadeiramente ocorreu em 15 de novembro de 1889.

Um líder militar doente, monarquista convicto, vaidoso, um pouco ingênuo e manipulável, dedicado em verdade à pátria é bom que se diga, depôs o Imperador e o seu governo parlamentarista constitucional após um ciclo de três crises artificiais sendo elas a abolição da escravatura (defendida com unhas e dentes pelos republicanos) a questão religiosa e a questão militar agindo de boa fé foi colocado à testa do movimento militar-elitista contra sua intima vontade vencida pela possibilidade de ser ele o novo governante e principalmente pasmem depois de uma esdrúxula “fofoca” (boato plantado de prisão dos líderes do movimento) e que se consolidou com outra mentira deslavada (nomeação de um novo chefe de governo antipático a ele), nascendo assim nossa tão decantada República.

Prometeram os novos donos do poder um plebiscito para consultar o povo sobre a forma e sistema de governo, que somente ocorreria 104 anos depois da tal proclamação em 1993, depois de vivenciarmos no período golpes sucessivos de estado, fechamentos do Congresso Nacional, ditaduras civil e militares, inúmeras decretações de estado de sítio, torturas, banimentos e tantas outras rupturas no estado democrático de direito.

Por essas razões por mais que a esmagadora maioria não concorde à legitimidade dessa República data de 19 anos, antes disso experimentamos placidamente um engodo histórico e tenho dito!